1.8.06

Sobre as Coisas Atrás dos Olhos

Vi sua cabeça explodir em uma nuvem de luz branca. Era um horizonte de pensamentos sólidos que se esparramava pelo chão. Enquanto tentava empurrar de volta pro seu crânio aquelas coisas viscosas e iluminadas, ele balbuciou. E, com a boca inundada de uma saliva espessa e branca, me contou todos os segredos do universo e de viver. Nada que se conseguisse entender. Todas as palavras tinham todos os significados e sentidos possíveis. Nem toda a inteligência humana reunida seria capaz de decifrar o que aquela cabeça fragmentada dizia.

Ele começou a convulsionar e eu via seu cérebro em ação. Um cheiro de fumaça perfumada tomou conta da sala. Pequenas nuvens negras relampejavam idéias contra seu córtex. Era lindo. E mórbido. Eu assistia ele morrer. Se eu atarraxasse o tampo de sua cabeça de volta, perderia o espetáculo. Se deixasse a coisa do jeito que estava, testemunharia o sublime. Algo que a raça humana evoluiu pra ver. Era o ápice. Depois dali, só descida.

Ele não era brilhante. Sempre foi um inteligente esforçado. Nada mais. Ele tem amigos e familiares que sentirão sua perda. Nesse momento, eu não poderia ligar menos pra isso.

Vou deixar ele morrer. Deixar seu corpo secar, até todo o cômodo estar inundado pelo o que ele era: idéias.

Me deu muita fome. E eu comecei a lamber, do próprio assoalho, aquela gosma amarelada que me cegava. E minha barriga se empanturrou de obsessão: enquanto tudo o que tivesse saído de sua cabeça não se depositasse no fundo do meu estômago, eu não me satisfaria.

Com uma dedicação gueixa, deixei o chão tão limpo quanto antes da explosão. No meio da tarefa, ele tentava me agarrar. Ele lutava pra viver. Era tarde demais.

A porta da frente desaba e um policial solitário me vê com a boca e a alma suja. Olhando pra última gota amarela expelida pelo o que restou do cérebro que acabara de se desfazer, o sargento somou dois mais dois e muito antes de qualquer coisa que eu pudesse fazer, puxou o gatilho.

Parecia que um flash havia sido disparado.


Enquanto caía, senti algo escorrer pela testa. Ao olhar meus dedos, vi a mesma gosma amarela. E, no rosto do policial, a minha obsessão de segundos atrás.

3 Comments:

At 5:22 PM, Blogger Li71 said...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

 
At 5:22 PM, Blogger Li71 said...

PUTAQUEOPARIUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU

 
At 9:15 PM, Blogger Jú & Lú said...

Puta merda...
Bom para caralho, meu caro.

beijo
LU

 

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